sábado, 16 de julho de 2011

TOLOSA E O PRIMEIRO - 1

O repovoamento de 1262 foi operado pelos Cavaleiros Hospitalários. Nesse ano, em foral, diz o Prior do Hospital no nosso país querer povoar Tolosa, nome que acaso lhe transmite agora: “don A. (Afonso) Petri prior de Portugal de ordin do Espital una cum conventu nostro volumus populares Tolosa”, para o que concede aos povoadores («vobis populatoribus») os foros e costumes do Crato (Ocrate), numa carta que é um notável diploma para o estudo da nossa vida social alti-medieva.
A população local ficaria sendo formada por povo e clero, sendo aquele constituído por duas classes de cavaleiros (vilãos) e peões (ou jugadeiros). Aqueles estavam obrigados ao fossado uma vez no ano, peitando o faltoso a multa de cinco soldos (fossadeira) ou talvez escudando-se dele mediante esta quantia.
No entanto, não eram, constrangidos todos a partir, senão dois terços deles, ficando a terça parte “in civitate”, isto é, na vila, decerto para se não desguarnecer e ficar indefesa no caso de um ataque súbito (pois os mouros não viviam longe).
É de notar que o termo “civitas” é uso aplicar-se a povoações acastelhadas, fortificadas.
Talvez Tolosa estivesse dotada de castelo e, neste caso, existia já a povoação antes do foral desta data, em que, nesse caso, procuraria apenas aumentar-se a população. Ou então a fase “in civitate” quereria significar a intenção de se acastelar o povoado. O primeiro caso tem análogos em muitas povoações fronteiriças (ou quase) nesta época.
O foral ocupa-se, depois, do regulamento dos casos crimes, ponto da máxima importância para a estabilidade da nova colónia.
O homicídio punia-se com cem soldos ad “palatium” (ou seja, para o rei, pessoalmente?) expressão em que alguns querem ver alusão ao paço do concelho, quando a verdade é que, às vezes, aparece noutros locais uma multa repartida entre o concelho  (“ad cocilium” e o paço (“ad palatium).
O furto era “composto” a nove por um, tendo o “intentor” dois quinhões e sendo a sétima “ad palatium”.
A violação domiciliária, pela força (“casa derota”, com armas, escudos e espadas) era punida muito mais severamente que o próprio homicídio: trezentos soldos, sendo para o paço a sétima.
Os casos de “rousso” ou violação da mulher têm ali expressão notável: se ela clamar que a forçam (“que… est aforciati”) e se o forçador negar o delito, ela dará outorgamento para seguimento da causa, de três homens-bons, “tales qualis ille fuerit”, ao passo que ele terá de prestá-lo com doze ou, não tendo outorgamento (ou quem o abone), jurará sozinho, e, se não puder jurar, dará de multa trezentos soldos (muito pior que no próprio caso de homicídio), deduzindo-se para o paço a sétima. A testemunha e fiel mentirosos eram castigados com a multa de sessenta soldos (a sétima para o paço) e com a duplicação do valor em causa (“et duplet o aver”).
In "Enciclopédia Luso Brasileira Da Cultura"

Jordano`s

sexta-feira, 15 de julho de 2011

GASTRONONIA NO CONCELHO de GAVIÃO

Começa hoje mais uma Gastronomia e Actividades Económicas na Vila do Gavião.

Vai este concelho durante três dias vestir o seu fato domingueiro. Que a honra a ela se faça sempre ao dente. Ao paladar lá gustativo. Não se lhe conhece a ementa e o manjar. O licor dos Deuses. Cardápio não lhe é mostrado. Que diz que é tradição..

Traz o José Cid a Cantar "Cai neve em Nova York" e no Gavião e no Alentejo, cai uma tempestade de areia. Com o vento da zona do Suão...

Que lá em espaço seu não deixa de ser tudo lá bem arranjado e lá muito bem tudo arrumado.

Se lhe continua a dar só o barulho e algazarra, que os nativos, a plebe local se quer saciada e não se quer que ela seja lá muita pensada...

Empresas que participam na graciosa 

Imprensa
Turismo do Alentejo
Editora Ramiro Leão
ADN/Etaproni
Grupo de jovens da Paróquia
Centro Social Belverense
Marçal Alves - APIC. Biológica
Vinhos Quinta dos Garfos
Ilex Vinhos, Lda
Clube Gavionense
Brindart
Gravilha e Abreu, Lda
Casa das T-Shirts
Santa Casa da Misericórdia de Gavião
A ladeira - Pub
Município de Gavião
Telhas e Madeiras
Guiso e Criações
Gabinete de Acção Social
Pizzaria - Café Alentejana
Maria do Carmo Infante
P I S  Alimenta
O S  M
Vale do Mestre
Alexandra Lisboa
Acidália
Casa das Botas
Artes e saberes - Gavião
Tricots "O novelo"
Pequenos Presentes
Montes das Cores
Arte e Visual
Bijutaria criativa
Maria Minda Antunes
Landoka Artesanato
Município de Abrantes
Olaria Jeremias - Redondo
Paula Marques - Portalegre
Fernando Jesus de Sousa
José Carreira - Valongo - Avis
Elixart Artesanato
Tecelinho
Agostinho Godinho
António castanho - Portalegre
João Barradas
Pinturas da rita  

Não se lhe pode ainda dizer, do dois mil já passou.

Ainda não foi o fim do mundo.

A ditosa, este ano, ela faz uma travagem mesmo muita brusca.

Trava mesmo muita  lá a fundo.
Perdeu a velocidade. Em câmara lenta entra numa real nacional que não lá que megalómana. 

Continua a custar - não sabeis como dói tanto - de ver este espaço e certame, realizado neste concelho, é menos de metade de um terço das empresas existentes, não participar neste evento.

A coisa não consegue mudar.

Nem as Juntas de Freguesia se fazem representar.
Nem as Associações culturais lhe dizem o presente.

Que poder político continua também a não inovar. Ao menos, podia .fazer uma exposição fotográfica no Cine-Teatro sobre o seu concelho.

Mas estas festas servem para que?

A pergunta lhe fica e a deixa ao mundo.

Que se lhe deia a ela pois lá o tinto ou lá o branco. Que viva lá o Baco. Ou lá um faz de conta o sonho ou lá a ilusão...

Não se aprende.

Mas estas festas servem para que?
Esta festa serve para que?

Fogo...

Não consegue mesmo fazer a diferença.

Não consegue ainda criar uma imagem única.

Uma sensação para quem tenha prazer e o desejo em voltar e sabe que é diferente e não se encontra em mais nenhum lugar...


Jordano`s  in Http://escritonogavião.blogspot.com

segunda-feira, 11 de julho de 2011

O CONCELHO DE GAVIÃO SEMPRE NA CAUDA

Só CAMPO MAIOR aumentou a sua população. A aumentou em 4,84. Os restantes concelhos, é para baixo. Seja lá sempre a descer. Ao menos não conseguem mostrar a cabecita, a por de fora, das suas calças. Mas onde é que isto vai parar? Este meu pedaço de Terra. Este meu Alentejo do norte. Que uma morte anunciada a lhe recusa...


Se a aumentou Campo Maior, os outros, os seus parceiros, eles continuam a ir ao fundo...


Monforte perdeu 1,24 da sua população.
Elvas 1,17.
Portalegre perdeu 3,88 da população.~
Arronches 6,61.
Ponte de Sôr perdeu 7,99.
Fronteira 8,57.
Alter do Chão perdeu 8,81.
Sousel 11,71.
Marvão perdeu 11,81 da sua população.
Avis 11,95.
Castelo de Vide 12,81.
Crato 12,93.
Nisa 14,39.
Gavião 15,18.


História local muito comprimida. Nem os ossos a ela lhe vai ficando, em esta ave de rapina. Ou está parada ou continua fazendo o mesmo passeio em anos estes todos. É sempre a descer em um picado suicída. Não é capaz de subir a marota...


Jordano´s  in http://escritonogavião.blogspot.com

domingo, 10 de julho de 2011

A VILA DE TOLOSA TEM CRUZEIRO

Postagem não completa. Falta apenas cinquenta palavras não mais. Não teve tempo. O jornal "o Distrito de Portalegre" não permite que se tire fotocópias. Tem um espaço de um metro por cinquenta. Mais ou menos... A fotocopiadora não lhe faz o devido serviço merecido. Que importa. Vamos a isto meus caros...

"Tolosa que nos últimos anos tem progredido apreciàvelmente, não podia ficar indiferente ao brado vibrante do Sr. P.e Moreira das Neves, o laureado Jornalista-Poeta.
E assim, os organismos locais da Acção Católica (JOC e JACF) abriram a uma subscrição pública para a erecção do Cruzeiro da Independência no Largo. Junto da Matriz.
No plinto, lê-se, entre outras, esta inscrição: "Aos Heróis da Pátria Cristã, os Organismos de Acção Católica Tolosa 1940". E vê-se o Escudo Nacional (actual).
Cerca das 15 horas do dia de Natal, eram recebidos à entrada da freguesia, com música e foguetes, os Srs. P.e Sebastião Martins Alves, digno Arcipreste e dr. José Rasquilho de barros, ilustre presidente da Comissão Concelhia da União Nacional, com representação do Sr. Administrador do concelho.

Acompanhavam-nos os distintos tolosenses Srs. drs. João e Carlos Telo Gonçalves. Organizou-se em seguida o cortejo. descerrada a Cruz, que a Bandeira Nacional envolvida, pelo Sr. Dr. R. de Barros - o Rev.do Pároco, Sr. P.e Fernando Proença saraiva, benzeu solenemente o Cruzeiro.
Constituida a Mesa, iniciou-se a sessão solene a que presidiu o Sr. Dr. Barros, secretariado pelo Rev.do Sr. Arcipreste que discursavam, e pelo Srs. Prof. Álvaro da Luz Biscaia e José António Brás, pela Junta da Paróquia. Usaram também da palavra os Srs P.e Fernando Saraiva, e Prof. Baptista Camilo.
A Filarmónica de Tolosa associou-se à solenidade tendo tocado o Hino Nacional e o da restauração. Ouviram-se calorosas vivas ao Cristo-Rei, à Santa Igreja, à Pátria, a Carmona e Salazar, etc., enquanto os foguetes estralejavam.
Os organismos de A.C. e as crianças das escolas declamavam o côro Falado Cruzeiros de Portugal, que foi muito aplaudido, e a menina Maria Lurdes Enes de Oliveira uma poesia..." E assim no referido jornal, 8 de Março de 1941.

Como eram aqueles tempos. Agora a coisa, ela já não lhe coloca a banda e lhe dá o foguete...


Jordano´s   in http://tolosablog.blogspot.com/

sábado, 9 de julho de 2011

TOLOSA A TODO O CAMPO

Tolosa recebeu foral em 1262, por concessão do Grão Prior do Crato, D. Afonso Peres.
- Assim começa mais uma postagem, baseada na Pequena Monografia de Tolosa de Alzira Maria Filipe Leitão. Ou como se lhe dirá, é uma história engraçada, que se perde, ela vem do tempo em que não tem um tempo, ou a raiz, a raiz que forma este meu país…
É neste sentido que surge o foral atribuído aos moradores de Tolosa, existente no Arquivo Nacional da Torre do Tombo. Nele sobressaem algumas cláusulas que vale a pena referir:
1.º  -  O Prior da Ordem, reunido com o seu cabido em Assembleia Geral, determina a atribuição de um vasto terreno, junto à Ribeira do Sor, aos povoadores de Tolosa.
2.º  -  Impõe os preceitos da doutrina que os seus membros professam.
3.º  -  Estabelece as normas que regulamentam os direitos e deveres dos povoadores, que são transmissíveis aos vindouros.
Em 1281, a Ordem dos Cavaleiros de Malta atribui um outro foral aos povoadores de Tolosa, que substitui o primeiro. Nele surge uma redução nos encargos do foro e estabelece os grandes privilégios atribuídos aos caseiros ou rendeiros de Malta.
O nome de TOLOSA deve ser originário de França, mais precisamente da região do Languedoc, cuja a capital é a cidade de Toulouse. Muitos dos Cavaleiros do Hospital eram de origem francesa, não só devido à própria fundação da Ordem, mas ainda às suas boas relações e grande difusão entre os franceses. Muitos deles integravam grupos de Cruzados que vieram ajudar os monarcas portugueses no período da Reconquista Cristã. É provável que alguns aqui se tivessem fixado e, ao mesmo tempo, desejassem eternizar o nome da sua longínqua terra natal neste povoado, junto à Ribeira do Sor.
Em 20 de Outubro de 1517, o rei D. Manuel l concedeu novo foral à vila de Tolosa, que confirmava totalmente o antigo. Segundo as fontes históricas pouco posteriores à concessão do foral por D. Manuel l, sabe-se que:
1.º  Esta vila do Priorado do Crato não possuía qualquer fortaleza.
2.º  O concelho pagava os impostos à Coroa.
3.º  Tinha apenas uma freguesia.
4.º  Dependia do almoxarifado de Portalegre e da provedoria de Estremoz.
5.º  Habitavam em Tolosa 45 moradores, entre os quais havia um clérigo e 15 viúvas. Podemos concluir daqui que o número inicial de moradores teria sido muito reduzido.
Em 1708 – a autora continua – a vila de Tolosa tinha dois juízos ordinários, dois vereadores, um procurador do concelho, um escrivão da Câmara, um almotacé, um tabelião judicial, um porteiro e um carcereiro. O alcaide-mor nesta época era Álvaro de Sousa e Melo…
Assim termina, mais uma viagem, a esta maravilhosa vila de Tolosa. Que quanto mais a escrevo, eu gosto cada vez mais dela. Ou apenas, um abrir o apetite, a querer lhe entrar no útero ou apenas um desejo de lhe continuar a falar do seu foral, em uma próxima postagem. Que não estou contente o não lá não senhora. Que olhando para ela, esta minha Tolosa, que também a terra de Arez e tão perto dela, meu entendimento lá meu, apenas o penso com um penso, a Carta, que a Carta Arqueológica do Concelho de Nisa, a ela, a elas, o devido valor não lhe foi dado e o seu passado lhe, lhes foi roubado…