quinta-feira, 28 de abril de 2011

ALDEIA DO CADAFAZ

De – A vila de Gavião e a sua Antiguidade, por António Moutinho Rúbio – inserto em O Distrito de Portalegre, de 10 de Setembro de 1969, o Cadafaz está lá contido e é falado.

“Acerca de 3,5 Km a noroeste da vila de Gavião, de cuja freguesia faz parte, etimologicamente parece ser de origem árabe.
Com efeito, nesta palavra encontram-se dois elementos de nítida origem moura. Significa horta ou quinta do CADI. Efectivamente, no tempo da dominação muçulmana – sempre foram cerca de 400 anos! –  um dos dignatários da organização administrativa era o CADI. Geralmente este CADI superintendia no Civil e no Religioso, por vezes. A ser exacta a nossa hipótese, havendo um CADI em Gavião (com outro nome evidentemente) a povoação então aqui existente Seia importante sob o ponto de vista administrativo.
Há, porém, duas hipóteses, ainda que é nosso dever considerar também: uma muito remota, outra quase moderna.
Quanto à primeira, CADAFÁS poderá ter sido o local onde os romanos procediam à execução dos condenados.
Isto, claro, partindo do princípio de que, etimologicamente, CADAFÁS teria vindo do vocábulo latino Cadafalsu ou Catafalsu.
Quanto à segunda, teriam sido colonos provenientes de outra CADAFÁS, CADAFÁZ ou CADAFAIS (sabe-se que existem outras povoações com o mesmo topónimo) e que, à semelhança do que alguns fizeram quanto a ribeiras e montes, aqueles trouxeram consigo a sua própria povoação de origem, transferindo-a para terras ao sul do Tejo.
Inclinamo-nos, todavia, mais para a primeira, isto é, à de origem moura, por razões que oportunamente abordaremos”.

Mas certamente "que oportunamente abordaremos". Que certamente que pode esconder tudo lá no mais seu cofre sagrado. Na mais pura calma a informação escondida pelo edil da camarária e organização socialista que governa este povo ao longo destes anos todos, a pode esconder, com o seu tempo ela verá a luz do dia. O blog sabe esperar. A outra, toda a cultura de um povo e sua etnografia, muito tempo já fez, ela se afogou no mar alto...
 

sexta-feira, 22 de abril de 2011

MONTADO OU APEADO

Na humorística democrática só agora é que houve a lembrança de ao fim de tantos anos de se começar a defender este nosso património alentejano. Como se o turismo não fosse um dos cinco negócios mais rentáveis do mundo....

Chiça !!! Foi muita tarde. Que se fez muita tarde e se perdeu muito do que um dia foi nosso e muita querido nos foi deixado e nos deu o ser e nos podia unir cada vez mais como povo.

Medida muita promocional. A medida é muita grandiosa. Ela apenas peca por ser muito tardia. Está perdido todo um património. O pouco que resta muito abandonado. Mas ela peca ainda mais por ser tardia até que venha a ser implementada.

Fogo, mas que país é este que nem sequer respeita a sua história... Ou todo um seu passado? Na campina é demais. Só lhe dá Belver. Na campina de uma terra chamada Comenda a coisa será adulterada e branqueada e apenas para o inglês ver...

Não tem nada.
Não sabe sequer onde fica lá o seu Castelo ou lá o seu Castro...

Fogo! Dá o nome a uma Rua e não sabe sequer quem foi a personagem ou lá o nobre Advogado. E nem sequer quer saber. Nem sequer está interessado o político da praça.

Fogo!
Que país é este que nem sequer respeita a cultura do seu passado.

Não sabe o blog como está o andamento da coisa.

Mas o blog não sabe como está o andamento da coisa e se A Entidade Regional de Turismo (ERT) do Alentejo e mais o seu projecto de candidatura do "montado" alentejano a Património Mundial, junto da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco),  o mesmo já avançou ou se ainda está no papel para valorizar todo um ecossistema “único no mundo” e que pode contribuir para a afirmação turística desta região que é o nosso alentejo..

Mas o caro Ceia da Silva presidente da mesma organização, sublinha que “o montado é, em si próprio, a identidade mais expressiva do território do Alentejo, porque o montado só existe no Alentejo, não existe em mais nenhuma parte do mundo”.

E, quando falamos de montado, queremos valorizar, não só a sua expressão paisagística, mas também a sua ligação à gastronomia, à maneira de ser alentejana, à nossa hospitalidade e maneira de vestir, às ricas tradições culturtais da região”, acrescentou ainda."

Não sabe o blog como está a coisa ou se a dita está indo em boas águas. Apenas sabe meus caros, pessoal do mundo e sem barreira, este concelho de Gavião é apenas apeado e não "Montado"...

quinta-feira, 21 de abril de 2011

NO RASTO DA FEIRA

Se está discutindo meu povo se a Feira no Concelho do Gavião deve ser feita todos os anos, ou ano sim ou ano não.

O blog  confessa que não conhece bem o clima da Feira Medieval  na  terra de Belver. A de Gastronomia no Gavião, o blog pensa que está entre as melhores na zona envolvente com a ave de rapina e se recomemenda, embora não fosse ainda capaz de criar um conceito novo na zona e ser um diferencial.

Mas mais do que se saber, se a mesma deve ser feita  na terra do Gavião ou na vila nobre de Belver, é apenas saber a razão dos cortes impostos pelo Ministro das Finanças e a razão do edil - se diga da mesma cor - ter que ser obrigado a fazer cortes no lazer local e acabar com certas tradições por causa de uma má governação no tocante ao uso dos dinheiros públicos.

Mas mais do que se saber se a mesma deve ser feita todos os anos ou ano sim na terra do Gavião ou na cosmopolita Belver é saber quando é que se faz qualquer coisa em ponto pequeno e parecido na campina da Comenda.

Não se pode focar e tocar na Atalaia por a mesma seguir uma morte anunciada como freguesia ou assim os seus cem habitantes se os tiver.

Mas falamos na Margem ou na terra de Vale de Gaviões. O blog ficou muita contente com o nome que os criativos da edilidade do Gavião lhe deram "Maratona do Feijão Frade".

Se é Sol de pouca dura, isso o blog não vai julgar.

O que é certo é que o poder político já lá fez qualquer coisa.

No tocante à campina da Comenda o blog diz que continua a ser zero e lhe foi prometido que em Setembro se faria qualquer coisa e vai a fazer dois anos e até agora nada...


quarta-feira, 20 de abril de 2011

ABRIL PROVOU O ViNHO

Vai a campina festejar mais um 25 de Abril.

Este ano a campina teve inovação.

Vai realizar a 1.ª Prova dos Produtores de Vinhos da  Freguesia da Comenda.
O blog diz que o edil da campina surpreendeu. Mas mais não faz do que acompanhar uma iniciativa existente na zona. Vai assim algum tempo que a iniciativa é feita no Monte da Pedra, Vale de Peso, Aldeia da Mata e Chança.

Espera-se que esta vingue.

É assim que se lhe acerta o passo.

Este ano lhe deu música.
No ano passado estava tudo tão perfeito e não lhe deu música.
Não lhe deu o Afonso e nem sequer o Barreiras.
O edil não compreende que Abril sem música é um dia banal..

quarta-feira, 13 de abril de 2011

FOI UM DIA D

Ontem, meus caros, a coisa já se falava nos bastidores da cosmopolita Portalegre. Andando o blog na blogosfera, a anotava. Confessa que ficou muito admirado com a decisão tomada. Não esperava que a escolha de Rondão Almeida fosse a primeira. Sempre pensou que o edil da camarária de Gavião fosse a primeira.

Confessa que não esperava.

Antes de avançar, aqui, do blog ZEUS - "Falta também saber, a haver eleições, se muitos presidentes de Câmara, não seguirão a vida de deputados". Aqui, o respectivo administrador do referido, o mesmo acertou em cheio e pareceu que foi um sem querer.

O blog, "Alentejo no Norte", sempre pensou que o edil da Câmara Municipal de Gavião, o Jorge Martins, se projectava na primeira posição da votação desta terça-feira passada.

Face ao quadro mostrado, a opinião do "Alentejo no Norte", o edil local pode ser eleito ou não. Se o distrito de Portalegre comportar três deputados, tudo se vai decidir, como as forças em presença vão combater a vitimização do PS. Será três deputados para cada um? Ou será dois para o PS ou vice-versa para o PSD com dois?

 Uma incógnita meus caros.

No tocante a futuras eleições autárquicas, ficará por se saber no concelho de Gavião, a posição dos barões do PS local.
O blog pensa que a tradição se vai manter e ser o que era com a passagem de testemunho para o seu vice. Quando elas vieram a acontecer ficará por se saber - continuando - se os ditos barões vão continuar a apoiar o vice ou se vão apoiar a mandatário desta última campanha para as últimas autárquicas do edil Jorge Martins.

Enfim. São apenas conjunturas. Ou a outra realidade da sociedade local.

terça-feira, 12 de abril de 2011

HABITANTES NO DISTRITO DE PORTALEGRE EM 2001

O distrito de Portalegre engloba quinze concelhos e oitenta e seis freguesias.

1.º O Concelho de Alter do Chão tem quatro freguesias.
a) Alter do Chão............................. 2 556 habitantes.
b) Chancelaria................................ 536 habitantes.
c) Cunheira.................................... 457 habitantes.
d) Seda........................................ 389 habitantes.

2.º O Concelho de Arronches tem três freguesias.
a) Assunção..................................... 2 059 habitantes.
b) Esperança.................................. 881 habitantes.
c) Mosteiros................................... 449 habitantes.

3.º O Concelho de Avis tem oito freguesias.
a) Alcorrêgo..................................... 427 habitantes.
b) Aldeia Velha................................  339 habitantes.
c) Avis............................................. 1 950 habitantes.
d) Benavila...................................... 1 017 habitantes.
e) Ervedal....................................... 689 habitantes.
f) Figueira e Barros......................... 356 habitantes.
g) Maranhão................................... 98 habitantes.
h) Valongo...................................... 321 habitantes.

4.º O Concelho de Campo Maior tem três freguesias.
a) Nossa Senhora da Expectação........ 3 788 habitantes.
b) Nossa Senhora da Graça dos Degolados.... 536 habitantes.
c) São João Baptista.............................4 063 habitantes.

5.º O Concelho de Castelo de Vide tem quatro freguesias.
a) Nossa Senhora da Graça de Póvoa e Meadas........ 696 habitantes.
b) Santa Maria da Devessa.............................. 1716 habitantes.
c) Santiago Maior.......................................... 426 habitantes.
d) São João Baptista...................................... 1 034 habitantes.

6.º O Concelho do Crato tem seis freguesias.
a) Aldeia da Mata........................................ 482 habitantes.
b) Crato e Mártires..................................... 1804 habitantes.
c) Flor da Rosa............................................ 328 habitantes.
d) Gáfete.................................................. 1 063 habitantes.
e) Monte da Pedra........................................ 327 habitantes.
f) Vale de Peso............................................ 344 habitantes.

7.º O Concelho de Elvas tem onze freguesias.
a) Ajuda, Salvador e Santo Ildefonso........................ 2061 habitantes.
b) Alcáçova.......................................................3 865 habitantes.
c) Assunção...................................................... 9 994 habitantes.
d) Barbacena.....................................................778 habitantes.
e) Caia e São Pedro..............................................3 779 habitantes.
f) Santa Eulália..................................................1 334 habitantes.
g) São Bráz e São Lourenço.................................... 1 946 habitantes.
h) São Vicente e Ventosa....................................... 1 100 habitantes.
i) Terrugem....................................................... 1 307 habitantes.
j) Vila Boim....................................................... 1 257 habitantes.
l) Vila Fernando.................................................. 400 habitantes.

8.º O Concelho de Fronteira tem três freguesias.
a) Cabeço de Vide.............................................. 1 133 habitantes.
b) Fronteira..................................................... 2 260 habitantes.
c) São Saturnino................................................ 339 habitantes.

9.º O Concelho de Gavião tem cinco freguesias. (1)
a) Atalaia...................................................... 165 habitantes.
b) Belver....................................................... 900 habitantes.
c) Comenda..................................................... 982 habitantes.
d) Gavião....................................................... 1 814 habitantes.
e) Margem..................................................... 1 026 habitantes.

10.º O Concelho de Marvão tem quatro freguesias.
a) Beirã........................................................ 596 habitantes.
b) Santa Maria de Marvão.................................. 645 habitantes.
c) Santo António das Areias................................. 1 261 habitantes.
d) São Salvador da Aramenha............................... 1 527 habitantes.

11.º O Concelho de Monforte tem quatro freguesias.
a) Assumar..................................................... 687 habitantes.
b) Monforte.................................................... 1 248 habitantes.
c) Santo Aleixo................................................ 787 habitantes.
d) vaiamonte................................................... 671 habitantes.

12.º O Concelho de Nisa tem dez freguesias.
a) Alpalhão............................................. 1 517 habitantes.
b) Amieira do Tejo..................................... 309 habitantes.
c) Arez.................................................. 362 habitantes.
d) Espírito Santo....................................... 2 057 habitantes.
e) Montalvão............................................ 597 habitantes.
f) Nossa Senhora da Graça........................... 1 573 habitantes.
g) Santana............................................... 445 habitantes.
h) São Matias........................................... 447 habitantes.
i) São Simão.............................................. 156 habitantes.
j) Tolosa.................................................. 1 122 habitantes.

13.º O Concelho de Ponte de Sôr tem sete freguesias.
a) Foros de Arrão...................................... 1 037 habitantes
b) Galveias............................................... 1 429 habitantes.
c) Longomel............................................... 1 494 habitantes.
d) Montargil............................................. 4 000 habitantes.
e) Ponte de Sôr......................................... 11 000 habitantes.
f) Tramaga.............................................. 1 732 habitantes.
g) Vale de Açôr......................................... 862 habitantes.

14.º O Concelho de Portalegre tem dez freguesias.
a) Alagoa................................................. 715 habitantes.
b) Alegrete............................................... 2 055 habitantes.
c) Carreiras............................................... 674 habitantes.
d) Fortios.................................................. 700 habitantes.
e) Reguengo................................................ 712 habitantes.
f) Ribeira de Nisa........................................ 1474 habitantes.
g) S. Julião................................................ 444 habitantes.
h) S. Lourenço............................................. 5 781 habitantes.
i) Sé......................................................... 9 987 habitantes.
j)  Urra .................................................... 2 117 habitantes.

15.º O Concelho de Sousel tem quatro freguesias.
a) Cano .................................................... 1 537 habitantes
b) Casa Branca ............................................1392 habitantes
c) Santo Amaro ........................................... 706 habitantes.
d) Sousel ................................................... 2 145 habitantes.

Confessa que está cansado.
Queria ir mais além nos números...
Que trabalheira.
Julgavas vós que a coisa ficava assim.
Não. Venham daí.

O Concelho de Elvas é o que tem mais população.

Elvas ............................................................27 641 habitantes.
Portalegre.....................................................24 659 habitantes.
Ponte de Sôr.................................................21 554 habitantes.
Nisa...............................................................8 585 habitantes.
Campo Maior ................................................ 8 387 habitantes.
Sousel .......................................................... 5 880 habitantes.
Avis .............................................................. 5 207 habitantes. (2)
Gavião .........................................................  4 887 habitantes.
Crato............................................................  4 348 habitantes.
Castelo de Vide............................................  4 172 habitantes.
Marvão.........................................................   4 029 habitantes.
Alter do Chão ..............................................   3 938 habitantes.
Arronches ....................................................   3 389 habitantes.
Monforte ......................................................   3 383 habitantes.

Bem vai a fazer dez anos. Era bom que a coisa se mantivesse. Era bom. Sei apenas que não.
Mas no professorado do parente e amigo Chico Talha se lhe dirá que há-de ser o que for e à boa mente.

(1) Gostava de aqui deixar uma resalvada em outros tempos.
Olhando agora para a coisa, parece que sinto algo de novo.
Não lhe vejo a mesma coisa que lhe vi em tempos que lá vão na campina.
Ao dizer que a freguesia de Comenda nunca esteve na segunda posição, não sei bem agora. Tudo depende. Julgo que Belver e Margem comportam dez lugares habitados cada uma. A Comenda só tem dois. Não sei se a sede entre as três, a Comenda não terá mais povoação.

Gostava que os meus caros olhassem bem para os números. Vai a fazer dez anos. Eles não serão os mesmos agora em 2011. Algo vai mexer nestas terras alentejanas... Que deserto está ficando ou lá uma Sibéria.

 (2) Era bom que este meu concelho, um dia, ele agora assim se encontrasse no presente. Sei apenas que não. Ninguém gosta dar notícias com um sabor amargo...

Jordano`s      in http://nortedoalentejo.blogspot.com/

domingo, 10 de abril de 2011

A ECONOMIA EM TOLOSA

O nível social e económico de Tolosa é dos mais elevados do Alentejo.

Encontram-se aqui um grande número de pequenas indústrias, uma intensa exploração pecuária e o cultivo intensivo das propriedades, característico das regiões onde predomina o minifúndio.

A indústria dos lacticínios é sem dúvida aquela que maiores proporções atinge, quer devido ao elevado capital que movimenta, quer sobretudo devido à grande quantidade de pessoas que emprega. Está exclusivamente dimensionada para a produção de queijo, através de processos semi-industriais, em mais de quinze “queijarias” particulares.
Todos os dias entram em Tolosa cerca de 20.000 litros de leite de ovelha e cabra.
A sua proveniência é bastante variada. Cerca de 20% vem do concelho de Idanha-a-Nova, na Beira Baixa. O restante é comprado aos diversos lavradores e Unidades Colectivas de Produção espalhadas pelo distrito de Portalegre. Ainda de madrugada, sai grande quantidade de camionetas ligeiras para a recolha do leite.

Se pensarmos no elevado número de raparigas empregadas nas queijarias, nos motoristas que aqui encontram trabalho, no grande tráfego rodoviário e o consequente desenvolvimento da indústria automóvel, nas grandes criações e engordas de porcos com o soro de leite fermentado, concluiremos que se trata de uma riqueza considerável. Esta indústria artesanal origina aqui um movimento aproximado dos mil contos – O blog aqui diz que a verba mencionada não corresponde à importância actualmente. O blog diz que o movimento dos mil contos era no final dos anos setenta ou os primeiros dois ou três de oitenta.

Outra actividade florescente nesta terra é a indústria de moagem e panificação. A farinha de trigo aqui produzida, nas três moagens existentes – vejam caros leitores três moagens existentes – serve a maior parte das padarias em actividade nos concelhos limítrofes. Muitas destas padarias são até administradas directamente pelos proprietários das moagens.
Vale a pena referir que os actuais proprietários das moagens começaram a sua ctividade nos moinhos ou azenhas, movidos pela força hidráulica, instalados na Ribeira do Sôr –  

O blog pergunta ou diz que ninguém conhece este Sôr tão belo e violento ou a planície verdejante ou uma terra de secura e ninguém já se lembra deles e o que foram estes moinhos aqui tão perto desta Comenda e que político nem sequer quer saber para avivar a memória da sua plebe ou lá um estrangeiro ou uma estrangeira que um dia pise estas terras e queira o lá saber.

Com o evoluir dos tempos, este tipo de trabalho artesanal perdeu toda a rentabilidade económica. Porém, não cruzaram os braços… Antes pelo contrário, acompanharam o progresso e puseram a tecnologia moderna ao seu serviço, com evidentes reflexos no desenvolvimento desta terra.

Há ainda um grande número de negociantes que se dedicam à compra de azeitona destinada à conserva. Uma boa parte é produzida nas pequenas propriedades que circundam Tolosa. A restante é proveniente dos lavradores e pequenos proprietários das redondezas. Todos os anos daqui saem muitas centenas de toneladas de azeitona, que vão abastecer os mercados dos grandes centros urbanos.

Merecem referência algumas carpintarias mecânicas, às quais está ligado o acabamento e comercialização de mobílias.

Existem também oficinas de ferreiro bastante modernizadas.

Outra actividade característica desta terra é a indústria de latoaria. Conservou-se ao longo de muitos anos como um trabalho quase exclusivamente manual, onde o mestre e os aprendizes labutavam de manhã à noite. Mas a evolução tecnológica também se reflectiu neste sector. Assim, as latoarias foram modernizadas, o homem recorreu ao auxílio da máquina e, como consequência, a indústria ocupou o lugar do artesanato. Os diversos artigos, produzidos na folha de flandres, folha de alumínio, chapa de ferro e chapa galvanizada, abastecem os mercados de muitas povoações, espalhadas por todo o país.

Há vários anos atrás, existiam em Tolosa várias oficinas de sapateiro, onde os operários, quase sempre o dono da oficina e os familiares, se dedicavam à confecção do calçado, utilizando processos artesanais.
Com o evoluir da indústria do calçado, estas oficinas deixaram de ter rentabilidade económica. Alguns sapateiros, conhecedores experimentados do volume de vendas nos mercados e feiras, compraram furgonetes e dedicaram-se à comercialização do calçado industrial. É outro sector que deu um pequeno contributo para o desenvolvimento económico da localidade.

P
A partir de 1965, desenvolveu-se aqui uma indústria de máquinas de aluguer, bem característica da tecnologia moderna. Trata-se de enormes tractores de lagartas, mais conhecidos por máquinas deterraplanagem, com variadas aplicações.
Inicialmente, surgiram para lavrar terrenos incultos e muito duros, à profundidade de quase um metro, destinados às plantações de eucaliptos. Como este trabalho foi rareando, hoje essas máquinas são empregadas na construção de albufeiras ou barragens, na lavoura de terrenos destinados à plantação de vinhas e muitos outros trabalhos que exigem elevada potência.

Outro sector de actividade largamente desenvolvido nesta vila é a construção civil. A edificação de várias casas para habitação própria, a reconstrução e a melhoria de muitas já existentes, a ampliação de instalações pecuárias e industriais, originaram um grande desenvolvimento na arte de pedreiro. Aqui existem muitos e bons praticantes, que auferem vencimentos bastante compensadores.

Como consequência deste surto de desenvolvimento, surgiram vários proprietários de camiões pesados que, a par de outros trabalhos, se dedicam ao transporte e comercialização dos materiais destinados à construção civil. Alargam mesmo o seu comércio a muitas povoações vizinhas.

O sector pecuário também está muito desenvolvido, devido à existência de grande número de proprietários.
Existem muitos de raças muar e asinina, destinados a trabalhos agrícolas. Quase todas as famílias têm uma reduzida quantidade de cabras e ovelhas que, além de lhes proporcionarem o dinheiro das crias, ainda permitem o fabrico de queijos para consumo da casa. Todavia, é a criação de vacas para produção de leite, que ocupa hoje o lugar cimeiro na actividade pecuária. Além do considerável rendimento que resulta da venda de crias, a comercialização do leite, que todos os dias é transportado para Portalegre, tem um significado considerável na economia dos pequenos produtores.

PEQUENA MONOGRAFIA DE TOLOSA /  ALZIRA MARIA FILIPE LEITÂO

Digos que parece mesmo uma cidade estas Terras de Tolosa. Parece que tem assim um cheiro a cosmopolita. Lhe chamam a terra dos cucos. Que malvadez ou a mais pura inveja o blog lhes regista. Ela é rica. Ela bafeja um sucesso económico muita grande na zona Alentejo que mora no alto. Não sabe se não será das mais ricas nele. Não se sabe se não será só ultrapassada pelas Terras de Galveias no concelho de Ponte de Sôr.

UMA TOURADA À VARA LARGA EM TOLOSA


 

A Junta de Freguesia de Tolosa, vai organizar uma tourada à vara larga dia no 24 de Abril (Domingo de Páscoa), na praça de touros da localidade.



DELFOS disse...
Ora aqui está uma boa noticía. Um post do amigo e caro MMendes. Que não entrando no mundo dos símbolos de C. Jung e não lhe pegando pelos cornos e domando a fera, é, não deixa de ser uma iniciativa parecida a esta que consegue contornar o sofoco e o estrangulando imposto pelas verbas que não chegam ás Juntas de Freguesia, seja pelos municípios ou seja lá por Lisboa. E ao edil da campina da Graciosa vila de Tolosa se dirá muito bem nobre senhor. Que não sei o objecto e a missão da tourada o confesso. Não sei se a mesma segue uma tradição nas terras de Tolosa. Mas lhe digo meu caro, se quiser o entender, acredito que tanto o blog "Tolosa Blog`s" ou o blog "Alentejo no Norte", as suas deliberações seriam colocadas nos referidos espaços. Mas também lhe digo para terminar, se quiser, se estiver interessado, conheço alguém que lia com todo o prazer as suas actas de sua freguesia, ou então, se o amigo conseguisse fazer um protocolo com o Centro Social de Tolosa, também conheço alguém que lhe resgistava toda a etnografia do seu povo. Entre o pagar e o não pagar, no meio se encontra uma linha. O edil da campine, acredite, que a coisa ela seria quase feita de borla, e também podia ser colocada nos referidos. Foi o que pensei.

Ao blog http://tolosablog.blogspot.com/ pela cortesia o meu obrigado.

sábado, 9 de abril de 2011

A CARTA ARQUEOLÓGICA DE AREZ

"Arez da Idade Média à Idade Moderna: um estudo monográfico Leitão, Ana Cristina Encarnação Santos Tese de mestrado em História Regional e Local apresentada à Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, 2008 http://catalogo.ul.pt/F/?func=item global&doc_library=ULB01&type=03&doc_number=000546695


http://hdl.handle.net/10451/1738"

A referida autora, os apontamentos que venho transcrevendo e seus, com a autorização da referida Universidade onde fez a sua tese, ela no seu levantamento cita o seguinte:

Horta das Póvoas. Sepultura antropomórfica. O seu estado de conservação é Bom.
É talhada num afloramento granítico. Tem moldura em relevo,
D. 1,72m comp., 0,56lg. 0,40pfd.


Tapada da Choça VII. Sepultura antropomórfica. Alta Idade Média.
Esta sepultura não está identificada. É numa área afectada pela plantação de eucaliptos.

Tapada da Choça VIII. Sepultura antropomórfica. Alta Idade Média.
Não é também identificada. É numa área afectada pela plantação de eucaliptos.

Tapada da Choça IX. Sepultura antropomórfica. Alta Idade Média.
Bom estado de conservação da mesma. É talhada num afloramento granítico.
Tem moldura em relevo. Foi abandonada antesda sua conclusão.
D. 1,40m comp., 0,50mlg e 0,10m prf.

Tapada da Choça I. Sepultura antropomórfica. Bom estado de saúde da mesma.
Não deixa de ser para mim um orgulho. É escavada num afloramento granítico.
A mesma enconta-se parcialmente coberta de blocos de granito. D. 1,80m comp., 0,57m lg min.

Tapada da Choça II. Sepultura Antropomórfica. Alta Idade Média. Bom é o estado dela.
É talhada num afloramento de granito. Tem moldura de relevo.
Tem de marcação do encaixe dos ombros.
D. 1,80m comp., 0,40 m lg, 0,60m prf.

Tapada da Choça III. Seputura antropomórfica. Alta Idade Média.
Bom é o seu estado de conservação. Talhada num afloramento de granito
Tem moldura de relevo e D. 1,65m., comp., 0,50lg. 0,40pfd.


Tapada da Choça IV. Sepultura antropomórfica. Alta Idade Média. Muito Bom é o seu estado.
Talhada num afloramento de granito. Apresenta a mesma moldura de relevo.
D. 1,80m comp., 0,65m de largura máx. e 0,50 lg. Min. e 0,40m prf.

Tapada da Choça V. Sepultura antropomórfica. Alta Idade Média. Bom.
É a mesma talhada num afloramento granítico.Tem moldura de relevo.
D. 1,80m comp. 0,45lg. e 0,60 prf..~
Está parcialmente coberta por um bloco de granito de grande dimensões.
Encontra-se a cerca de 10m da Sepultura IV.

Tapada da Choça VI. Sepultura antropomórfica. Alta Idade Média. Bom. Boa. Está ainda muito boa para as curvas no tempo. È talhada num afloramento de granito.
Apresenta a mesma,  moldura de relevo. Nota-se uma diferenciação na zona da cabeceira  um provável encaixe para a cabeça que será mais simbólicio do que funcional.
D. 1,75m comp. , 0,45 lg. Min., 0,60m de prf e 0,40m de prf.

Na Ribeira do Figueiró existe um Pontão. É do período medieval.
O seu estado de conservação é Bom. Constituído por blocos de granito.
Tem dois arcos de volta perfeita. Tem talha-mares a montante. Não possui apoios laterais nem negativos dos mesmos. No lado Este, acesso ao Monte Claro.
O tabuleiro prolonga-se sobre os afloramentos graníticos onde sobe este existem reentâncias que permitem passagem de água.

Herdade de Santo António. Na Herdade de Santo António encontra-se uma Ermida.
É do período medieval/moderno. O seu estado de conservação é Bom. Séc. XIV.
Um só corpo. Tem contrafortes laterais. As janelas são em fresta. A porta é com arco em ogiva.
Tem impostas quadradas que encimam ombreiras.

Talefe. Mas o que será o Talefe? Fogo! Assim não vale. Aqui se está vendo mesmo uma nora.
Talefe. Bem... Talefe é uma gravura rupestre (cruz).
Ei lá que aqui tem estado de mistério e os anos se sugerem longos, uma eternidade nestas terras ou o bravio animalesco delas.

Na Tapada da Choça existe uma Pia. O seu período é interminável. O seu estado de conservação é bom.É uma depressão num afloramento granítico com uma forma ovóide e uma abertura a Este.
D. 1,35m comp., 0,50m lg, 0,40 prf.

Na Ribeira do Figueiró há Passadouros. São do tempo Modernos. O seu estado de conservação Bom.
Situado na passagem para o Monte Claro. É um alinhamento de blocos paralelipipédicos de granito que permite o atravessamento a pé da ribeira. O leito da ribeira encontra-se calcetado nesta área.

Largo da Igreja. Igreja. É do tempo Moderno. O seu estado de consevação é Bom. Séc. XVI.
Remodelada. Sob impostas quadradas.

Largo António A. Bastos.
É o Cruzeiro. Está o Cruzeiro.
O seu período é moderno.
O estado de conservação do mesmo é Bom.
Cruzeiro em granito de cruz simples sobre uma peanha de 3 degraus.


Rua Alexandre Herculano 15. (Cruciforme). Cruz num lintel.
É do tempo Moderno. Bom. O seu estado de Conservação é Bom. Cruciforme gravado numa cantaria de granito de uma janela. A base da cruz é triangular. É representando pequenos degraus.
Eles parecem representar o Calvário. Trata-se de um reaproveitamento daquele bloco de cantaria uma vez que o crucuforme se encontra invertido.
D. 0,18mlg. e 0,30m alt.

Rua São João de Deus. Capela. Uma capela. A dita é do tempo Moderno. Bom.
O seu estado de conservação é Bom. Séc. XVI. Frontaria tem no fecho uma sineira simples.
Porta renascentista. De granito. De granito, com arco redondo apoiado sobre duas meias colunas com bases e capitéis quadrados. Na verga uma cabeça esculpida e, aos lados uma face radiante e uma caveira e dois ossos.


Tapada da Choça. Abrigo. Estado de conservação Bom. Conjunto de afloramentos graníticos.
São de grandes dimensões. Formam uma pala que protege um corredor com o sentido sul-norte em que a entrada é a Norte. D. 12m comp. aprox. e 3m lg máx.
Registam-se várias zonas de fogueira não estruturadas. Identificaram-se fragmentos de cerâmica de roda e um percurtor.
Um dos fragmentos cerâmicos parece terpertencido a um recipiente de armazenamento de grandes dimensões.

A autora, a senhora que ainda nos vai dando estes puros momentos de lazer e nos brindou um pouco com o conhecimento do nosso passado, na zona - aqui muito especialmente a todas estas terras e terrolas que circulam esta aldeia e freguesia de Arez, ela parece que tem muita força e é muito sumarenta e tem um gosto a muito gostosa estas terras de Arez e meus caros nunca o sabeis como o sinto no deserto deste Alentejoe a liberdade me vai na alma... O pouco ainda se vai protegendo e valorizando.

Não se lhe pode dizer que o concelho de Gavião lhe siga os mesmos passos.

Este espaço concelhio e geográfico está muita longe do concelho de Nisa.
Do Crato.
De Monforte.
De Alter do Chão.
Castelo de Vide.
Marvão.
Que de fronteira não conheço e não sei como se encontra o assunto.

Quero aproveitar.
Aproveito pois então.

Aos meus amigos e caros, José Joaquim, MMendes, e o colega de outos tempos em outras cerebrais, o pouco em mim ainda está e vai ficando, o meu caro e amigo Jaime Crespo, a referida autora diz na sua obra que a gentil, a educada, a criativa, ou seja lá um condado esta vila de Nisa, a autora diz que quando estava fazendo a sua Tese, a Câmara Municipal de Nisa estava fazendo a sua Carta Arqueológica.

Aos meus amigos e caros, tão só e simplesmente este meu peito aberto em uma pequena literária, a notícia em mim honra-me este Alentejo, este bocado do Alentejo no Norte é muito gratificante que a história, a nossa, ela se valoriza, se dá o valor que ela tem, como se não fosse ela, um cartão de visita que se oferece a quem nos visita, ou o turismo não seja o quinto ou o segundo negócio do mundo.

Acredito que o caro Ceia da Silva e a sua "Turismo do Alentejo, ERT", o esforço por si e a organização que comanda com os colaboradores, penso que toda a equipa só pode estar contente. Assim o penso e vos digo.

Não sei.
Não sei se a referida Carta já está concluída.
Ou se houve uma partida já para o terreno, com este passado da malta.

A coisa, em esta minha memória se não me falha, no meu entendimento, a afirmação vai a fazer três anos quando a autora o disse, e que assim o penso e o registo no tempo desta planície que tão lento ela está e vai ficando.

Lameto.
Como a coisa dói tanto. 
Dói muito.
Sinceramente...

No concelho onde me encontro, nestas coisas de passar pela camarária do Gavião, nela, em ela me foi dito que este ano corrente logo em Janeiro, a Câmara Municipal de Gavião ía fazer a sua Carta Arqueológica do concelho.

Passado algum tempo, ao dar uma olhada pelas actas da mesma, o meu espanto é que a deliberação tomada não estava registada em acta.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

A ORDEM DO HOSPITAL

 A Ordem do Hospital, desde o momento que chega ao Condado Portucalense, cumpre a sua função assistencial, como prova a doação feita em seu benefício, em 1145, pelo arcebispo de Braga, do hospital edificado por Pedro Ourives e respectivos bens situados em Braga.


A reforçar esta situação, cinco anos mais tarde, Pedro Ourives doou ao prior a Igreja de S. João, o cemitério e certas casas existentes nos subúrbios da referida cidade. Aliás, parece-nos correcto reconhecer na doação de 1145 o papel concreto que a Ordem desempenhava ao nível sóciocaritativo de apoio aos peregrinos que se dirigiam a Santiago de Compostela, e de que Leça do Balio era uma base de apoio, como indica o próprio traçado viário da altura.

Assim parece plausível que a prossecução deste programa assistencial tenha sido um parâmetro importante no processo de implantação da Ordem em Portugal, nomeadamente na sua primeira instalação em Leça.

Por outro lado, a inserção destes freires num projecto concertado de actuação militar aguardou pelo final do séc. XIII.Este processo tem lugar, pelo menos, em 1194, ano em que D. Sancho I doa aos freires a terra de Guinditesta, impondo-lhes a obrigação de construírem o castelo de Belver, no contexto dos desastrosos anos de 1190-91 para as tropas cristãs no domínio da Reconquista.

Com esta atitude, o monarca revela que acredita no potencial militar desses indivíduos e na sua correspondente capacidade de povoamento do território.

Não tardará o reforço deste núcleo de implantação hospitalária, já que em 1232, a Ordem recebe o Crato, com a obrigação de os freires povoarem e amuralharem este local, o que lhes irá permitir, anos mais tarde, ali instalar a sua casa conventual e reforçar a sua presença nesta zona. Em termos objectivos, a manifestação do exercício das duas funções primordiais dos freires de S. João de  Jerusalém, recordamos, assistência e prática das armas, materializa-se nas doações de Leça e de Belver.

A primeira, como matriz da prestação de cuidados assistenciais, no âmbito da peregrinação a Santiago de Compostela, e a segunda, como padrão de um comportamento militar, no contexto da cruzada e da reconquista.
Será, pois, no final do séc. XII que o ramo português da Ordem do Hospital assume a sua militar, o que se coaduna com a obrigação de os elementos que pretendem ingressar responderem, pelo menos a partir de agora, a critérios ligados à actividade bélica.

Para além das armas, a Ordem apresentava-se por várias outras razões, como uma opção estratégica para alguns sectores da nobreza portuguesa.
De um modo geral, as Ordens Militares são potencialmente atractivos para a aristocracia, como tem sido sublinhado.

Assim, no caso concreto dos Hospitalários, podem ser aduzidas razões como prestígio de ser uma instituição supranacional com origem na Terra Santa e no ambiente de cruzada, o aliciante que constituía a prática da virtude da caridade e da hospitalidade, o potencial que a Ordem tinha de sufragar as almas dos seus professos e mesmo o usufruto de um leque de privilégios papais e reais por parte dos que a ela aderissem.
A base patrimonial e jurisdicional da Ordem e a correspondente gestão destes bens e direitos por parte dos comendadores, com a organização das suas casas senhoriais e respectivas redes clientelares, são razões que se juntam ao leque de vantagens que a nobreza tem em se aliar a este projecto.

No plano religioso, as Ordens Militares podem oferecer soluções atractivas, quando interpretadas à luz do seu tempo.
Se as ordens apresentam vectores que são comuns a outras instituições de perfil distinto, como o sufrágio das almas dos benfeitores ou das dos seus parentes mais próximos, elas significam também a aproximação a Deus através de Jesus Cristo, concretizada pela conquista dos lugares santos, no ideal de cruzada, tão emblemático nos séculos XII e XIII.

Também o facto do primeiro superior hierárquico desta instituição nascida em Jerusalém ser um cavaleiro franco, que notabiliza no contexto da cruzada, e de a dignidade de grão-mestre ter sido titulada por D. Afonso de Portugal (1203-1206), filho de D. Afonso Henriques, poderá ter sido um estímulo à adesão à Ordem, por parte de alguns elementos da nobreza portuguesa, sustentando um padrão de exigência nobiliárquica, que se terá mantido e até aperfeiçoado em décadas posteriores.

A figura de D. Afonso terá congregado os interesses de alguns aristocratas portugueses, que procuram na Ordem uma aura de prestígio e de identificação com o poder real de início de Duzentos. Esta constatação poderá ser um elemento explicativo para o facto de a cavalaria religiosa se apresentar como um modelo de vida para alguns destes indivíduos, que viam o seu património familiar a tornar-se cada vez mais espartilhado, conseguindo, desta forma, encontrar no património das Ordens Militares um reforço das suas estratégias de poder.
Após analisarmos as áreas de implantação das diferentes famílias nobres e a lista de comendas da Ordem do Hospital e os seus respectivos titulares, verificamos que é possível estabelecer uma relação entre as zonas de implantação das diferentes casas senhoriais e a titulatura de algumas dignidades por parte de certos Hospitalários pode revestir de uma coincidência territorial, em outros está patente uma proximidade geográfica, que está na base das actuações em áreas limítrofes ás da família de onde provém esses indivíduos.

Assim, é possível afirmar que a Ordem viabiliza as estratégias de poderplurifacetado destas famílias, no sentido da consolidação ou ascensão, tanto a nível social como económico.

Sancho I, 1194, profundamente ligada ao evoluir da reconquista no início desta década, e reforçada no séc. XIII, pela concessão do lugar do Crato, constituem atitudes que estimulam a deslocação para as terras da Beira e do Alto Alentejo.

Este percurso poderá ser sintomático de um potencial militar ligado à concretização da cruzada, de uma necessidade destes cavaleiros se dedicarem à guerra como meio de acumular riqueza e até um eco da aproximação da Ordem à coroa, tanto mais que está maioritariamente ligada a linhagens não directamente associadas ao meio cortesão.

Pedro evidencia uma atitude inovadora na associação entre a cavalaria hispânica e os elementos das Ordens Militares, conferindo um grande destaque ao prior Hospitalário Álvaro Gonçalves Pereira, que pode ser entendido como um corolário de uma evolução da ligação da nobreza á Ordem do Hospital.

Em termos gerais, o modelo da cavalaria religiosa seria atractivo para a nobreza, uma vez que constituía uma hipótese institucional de prática dasarmas e era uma opção que viabilizava uma actuação ao nível da administração de grandes domínios, com a possibilidade de manutenção das suas casas senhoriais.


"Arez da Idade Média à Idade Moderna: um estudo monográfico Leitão, Ana Cristina Encarnação Santos Tese de mestrado em História Regional e Local apresentada à Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, 2008 http://catalogo.ul.pt/F/?func=item global&doc_library=ULB01&type=03&doc_number=000546695


http://hdl.handle.net/10451/1738"


Hoje meus caros lhe começamos por lhe dar a ORDEM DO HOSPITAL.

O tema é muita vasto.

Vamos lá a ver se conseguimos voltar com outro post sobre o tema.
Se tal não se conseguir é porque é mesmo muita difícil viver no concelho de Gavião. A coisa não se faz e ainda se bloqueia o que existe...


Jordano`s  in  http://nortedoalentejo.blogspot.com